Andar às aranhas
Andar às aranhas Já perdi muita coisa. E, verdade seja dita, andar às aranhas é do piorio: quase sempre resulta numa mistura pouco saudável entre fúria e calma forçada. A serenidade deveria imperar nos momentos iniciais — é ela que sustenta qualquer processo de busca —, mas quando nos apercebemos da verdadeira dimensão do problema, quando percebemos que veio para ficar, é quase inevitável libertar o demónio que guardamos cá dentro. E, nos casos mais graves, lá surgem os impropérios de que mais tarde nos arrependemos (ou não). Já aqui falei de Marcelo e da sua indolência. A verdade é que acabou refém da própria fama, dos louros que durante anos atribuiu ao seu desempenho como chefe maior da nação. Mas agora, mais difícil do que a sua saída — que, ao que parece, será rápida e para bem longe, com destino à Califórnia — é encontrar quem o suceda. Se a direita disputa espaço com uma nova solidez, impulsionada pelo crescimento abrupto do Chega, a esquerda encontra-se mais fragmenta...