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A mostrar mensagens de fevereiro, 2026

Desprezo pelo essencial

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  Desprezo pelo essencial Viveram-se dias conturbados. O país teve ruas inundadas que só agora começam a secar e entretanto já a nossa espuma mediática nos voltou a proporcionar opiniões prontas a serem servidas no imediato, alicerçadas numa argumentação frágil, vulnerável e pouco lógica. Reconstroem-se estradas, pontes, casas e de um certo modo a vida de alguns portugueses que, de um dia para o outro, passou de um céu sereno para um inferno ardente. A comunicação social, como já nos tem habituado, correu euforicamente para os escândalos forçados, uma vez que uma indignação bem preparada pode tornar-se um produto bastante apelativo nos dias que correm. Queríamos ação, sim. E houve excecionais exemplos, como foi o caso da ex-ministra Ana Abrunhosa, autarca de Coimbra que mostrou em poucos meses ter o perfil indicado para estas diligências. Mas o que confundimos nestas ocasiões é sem dúvida os sinónimos da palavra ação. Entra em cena a era gloriosa do novo desporto nacional de qu...

Futuro em tom nostálgico

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Futuro em tom nostálgico As figuras verdadeiramente marcantes da nossa história enquanto país são significativas para a nossa dimensão, mas, infelizmente, igualmente escassas. Note-se que a modéstia também é um traço nacional, sobretudo quando nos esquecemos de nos promover lá fora. O problema é que o reconhecimento internacional não tem acompanhado o talento português, graças à falta de desenvolvimento da nossa imagem internacional. Felizmente, há um domínio onde Portugal parece reunir consensos e um mediatismo inalcançável por qualquer outra área, sendo quase uma linguagem universal: o futebol. De Figo a Eusébio ainda se vai ouvindo qualquer referência, mas é Cristiano Ronaldo que abarca quase todo o peso de colocar o país no mapa- embora em sua homenagem, como sabemos, tenha sido feita uma estátua duvidosa num aeroporto remoto. Mas adiante, que a bola a rolar é um assunto fraturante que tende a despoletar mentalidades pueris nos especialistas de café. Escolheram o nome de Amália R...

Inverno de desencantos

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Inverno de desencantos Andamos todos escondidos. Chove há demasiados dias consecutivos, os ventos não dão tréguas e a humidade insiste em impregnar-se em tudo. Entretanto, vive-se uma calamidade em determinadas regiões do país e o pior é a ausência de consensos sobre as medidas a serem tomadas. Enquadramos, assim, esta época, ora como um marco no longo e doloroso inverno, ora como um tempo de reflexão e de recomeço para outros. Todos somos portadores de projetos. Uns encaram-nos com um rigor quase obsessivo, investindo em esforço e imaginação, outros limitam-se a concretizar aquilo que lhes é dado. À nossa maneira, descobrimos sempre uma forma de avançar quando nada parece querer dar-se a nós, ou quando a criatividade se esgota, por mais abundante que seja.  Janeiro atrás de janeiro, ninguém nos pode arrebatar essa capacidade de adaptação e persistência. Após um início de 2026 marcado por promessas incumpridas e desafios por enfrentar, emergem tempos de expectativa e falta de rumo....

Outras tempestades que perduram

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Outras tempestades que perduram "Um trabalho em contexto de invisibilidade". A expressão soa a refúgio linguístico: não explica, não resolve nem responsabiliza. Poderia ser usada num relatório ministerial guardado na mesma gaveta durante anos, podia também ser retirada de um daqueles testes em que o aluno, embora não domine o conteúdo da pergunta, demonstra uma curiosa queda para a engenharia semântica.  Quando é proferida por uma ministra no exercício das suas funções e em plena gestão de uma crise, auxiliada, em grande parte, pela figura de Montenegro, mais ativo e aparentemente sabedor da situação real do país, esta intervenção torna-se num exemplo bem ilustrativo da incompetência de Maria Lúcia Amaral. Se o governo tem feito os possíveis para amenizar os danos de algo imprevisível, alguns elementos demonstram bastante bem a falta de bom senso característico de uma determinada classe política em Portugal. Entretanto, o espetáculo prossegue. As caixas de comentários e...