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A mostrar mensagens de janeiro, 2026

Entre o silêncio e o vazio

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Entre o silêncio e o vazio O "Escrito na Pedra" encerra em si um conjunto de fascínios singulares. Convida-nos a refletir sobre personalidades e sobre os seus efeitos a partir de uma perspetiva diferente daquela a que estamos habituados. A materialização do pensamento perdura no tempo e na memória coletiva. Cada um de nos é o produto daquilo que conseguiu inscrever na nossa sociedade, seja através de uma obra de cariz solidário, de um espírito empreendedor que marcou uma determinada área de negócios ou, simplesmente, de uma frase capaz de atravessar gerações. Filosofar sobre dez ou doze palavras pode tornar-se, sem dúvida, numa das mais interessantes rotinas intelectuais que alguma vez experimentei.  Para quem não sabe, o "Escrito na Pedra" é uma espaço onde, diariamente, no jornal  Público,  são citadas palavras marcantes de uma determinada personalidade reconhecida socialmente pelo seu mérito ou protagonismo numa determinada área. Ao longo destas semanas, uma ...

Faltou cumprir-se Portugal

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Faltou cumprir-se Portugal O verso é de Pessoa mas o mote foi utilizado por uma das melhores campanhas políticas que testemunhei enquanto jovem atento, desde cedo, a estas andanças. Foram meses de alto e baixos, de dúvidas e polémicas, de entusiasmos genuínos e de tiradas verdadeiramente geniais. João Cotrim de Figueiredo permitiu-me assistir a algo que nunca tinha visto na vida política em Portugal: jovens com esperança. Não uma esperança vaga ou infantil, mas uma confiança informada de que o país podia ser diferente. Deu-nos coragem, tratou-nos como o futuro da nossa nação, defendeu sempre a liberdade sem medo e fez-nos acreditar que Portugal podia mudar- e para melhor. Isso, independentemente dos resultados, já ninguém nos tira De uma noite que se avizinhava renhida, apenas saíram tristezas para muitos. A primeira, e talvez a mais inquietante, prende-se com a passagem do populismo à discussão pelo mais alto cargo da nação. A consolidação eleitoral já não é um desafio para Ventura: t...

Mentalidades efémeras

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  Mentalidades efémeras “Eu fui um Ronaldo”. Era esta a frase que, há uns anos, qualquer pai que se prezasse queria ouvir do filho quando, aos 30 ou 40 anos, tivesse o corpo carimbado por lesões, uma casa por pagar e nenhum trabalho que lhe garantisse sustento. Entretanto, pensava eu — e muitos outros — que as mentalidades, mais do que mudarem, tinham evoluído. Contudo, o primeiro-ministro, que defendi em muitas ocasiões e a quem não retiro qualquer mérito pelo trabalho que tem vindo a desempenhar no governo, foi profundamente infeliz na mensagem de Ano Novo dirigida aos portugueses. Lia-se nos jornais que alguns dos mais conotados colunistas dispensavam a motivação disfarçada de conselho transmitida no início deste ano. Agastados com um começo de ano atribulado no plano da fragmentação geopolítica, fomos brindados com uma reflexão pretensamente profunda sobre o grande profissional Cristiano Ronaldo. Um dos desportistas mais bem-sucedidos da história, um dos 20 mais ricos do mu...

Um frio que não se aquece

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  Um frio que não se aquece Desde que tenho memória, os Natais passaram sempre a correr. Tanta preparação para que, em menos de 48 horas, todas as rabanadas, sonhos, bacalhaus, perus e queijos da serra acabem reduzidos à insignificância do frigorífico. A noite dita serena, quente e de abrigo contra as inquietações interiores — alimentadas pelo início de um novo ano e pelo balanço silencioso dos últimos doze meses — marca-nos a existência. O Natal fica para a história, para o bem e para o mal. Em poucas horas, muitos de nós já fomos vítimas de pequenos azares: ou a bateria do telemóvel ou a película do ecrã ou a internet de casa decidiram falhar quase em simultâneo. Pequenas avarias, dir-se-ia. Mas o verdadeiro incómodo não foi o problema em si — foi a certeza de que resolver implicaria pagar. Sempre pagar. Hoje, já não tememos partir o ecrã nem a incapacidade de cuidar do que temos; tememos o preço. O grande massacre do consumismo chama-se fatura. E contra essa, estou eu também...