Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2025

Fogo que arde... e que se vê

Imagem
  Fogo que arde… e que se vê Agosto é um mês feliz. O expoente máximo do calor, das férias, da praia e do modo despreocupado para muitos. Mas não para todos. Não falarei de amor, embora o célebre verso de Camões (“Amor é fogo que arde sem se ver”) quase me obrigue a isso. Enquanto tentamos forçosamente descansar e aproveitar as vantagens do alheamento que cobre todo este mês, deparamo-nos inevitavelmente com um tema que insiste em marcar o nosso verão: os incêndios. A quantidade de hectares que ardem anualmente é excessiva (estimava-se quase 5% das áreas protegidas), especialmente quando falamos de um país tão pequeno mas tão rico em variedade de território, o que torna esta perda ainda mais dolorosa. Para quem já teve a possibilidade de conhecer cada recanto de norte a sul, creio que fica clara a mudança radical de relevo, conseguida através da passagem sucessiva de montanha para planícies. Neste ponto, falemos ora dos planaltos alentejanos que em nada são planos, ora da serra alg...

Como quadros podem ser cruéis

Imagem
  Como quadros podem ser cruéis Mas afinal, qual a importância que um quadro pode ter na nossa vida? Quando partimos na nossa longa aventura escolar, deparamo-nos com o clássico quadro de giz, aquele onde tudo é escrito e por vezes nada é entendido. A letra redonda e legível escrita a giz marca o início da formação de ideias, de perceções e visões de algo não muito concreto mas bem mais  desenvolvido do que há um mês atrás de uma criança de 6 ou 7 anos- mas ainda longe de uma compreensão total . O quadro ensina-nos a desenhar toda a composição do abecedário com rigor, a perceber o que são números e a sua utilidade, ou então a mostrar-nos como desenhar o mapa de Portugal é bem mais fácil do que contar a sua história. Mais recentemente, percebemos que ele também nos pode ensinar o que é- de uma forma leve, educada e cruel… a loucura. O protecionismo económico é uma medida difícil de tomar e sobretudo de aplicar. A aplicação de tarifas e de quotas é um sintoma de crise, de falênc...

Apertadamente só (parte 2)

Imagem
  A rua de dois sentidos Curiosamente, ao avistar a serra que me rodeia no momento em que escrevo, fui relembrado dos tempos das aulas de história- disciplina da qual nunca fui grande adepto, apenas tendo uma grande curiosidade pelos assuntos que ela tratava, esses sim bem mais entusiasmantes. Um desses temas que sempre regressava ao longo do nosso percurso escolar era o das Cortes. Muitas vezes comparadas ao parlamento atual, representavam um modelo rudimentar de representação política — bem distante da ideia de dar voz a todos. Felizmente, a História seguiu o seu rumo e evoluiu para algo mais justo e útil à construção de um país sólido e desenvolvido. A fascinante sucessão encontrada da passagem conturbada da primeira para a segunda dinastia em Portugal foi uma das lutas quentes do séc. XIV. A divisão entre privilegiados e não privilegiados colocava em cheque a nossa independência, sendo esta defendida pela maior parte da população, que naturalmente não pertencia à elite. O...