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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

Por onde navegas?

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Por onde navegas? "Sozinho na noite, um barco ruma para onde vai". É assim que Vasco da Gama, herói da nossa maior- e única- epopeia (escrita) é cantado pelos Xutos & Pontapés. Evoca-se a temível noite marítima, as incertezas dos ventos fortes trazidos pela vastidão do oceano, mas também a ilusão das sereias que tentam desviar a Armada Portuguesa do seu grande objetivo: explorar o inesperado. Urge a falta de tempo, de mantimentos, mas também de otimismo. "Tentaram prendê-lo," mas quem já nada teme é sem dúvida "o homem do leme". A escrita tem este poder: cantar e celebrar a utopia, levantar o copo que está, invariavelmente, meio cheio. No fim de contas, atinge-se de forma corajosa, brava e imperial a glória, cumprindo os desígnios com os quais no comprometemos. Mas nunca esqueçamos que, por detrás da glória, residem falhanços, frustrações e desaires difíceis de digerir, sendo esses os verdadeiros motores do conhecimento e da competição saudável rum...

As flores do nosso quintal

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  As flores do nosso quintal As flores são, de facto, entidades fascinantes. Arrisco afirmar que se não conquistam plena unanimidade em todos os leitores, pouco lhes falta para tal. São elas que nos confortam, que embelezam e dignificam aquela árvore que já só existe por mera indulgência nossa, ou então que oferecemos em ocasiões especiais às mães ou avós, não percebendo por vezes o simbolismo deste bonito gesto. Mas por trás desta visão idílica existe uma realidade não tão romântica: os quintais - ou as jarras para os citadinos. Foquemo-nos, porém, no seu habitat natural dentro das nossas vidas humanas: os quintais. Tanto trabalho nos dão, tantas dores de cabeça, tantos arranjos, tantas horas ou tanto que despendemos para no final o jardineiro nos dizer que não tem solução. As orquídeas, as rosas, os girassóis, as estrelícias ou os malmequeres- todos únicos- exigem, no final de contas, bem mais do que aquilo que aparentam oferecer. O tempo não está para flores, até porque es...

O preço da inércia e do orgulhosamente sós

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  O preço da inércia e do orgulhosamente sós O título remete-nos de imediato para o slogan “Orgulhosamente sós” tantas vezes proferido durante a ditadura que durou mais de quatro décadas no nosso país. O curioso é que, apesar de tanto tempo decorrido, das inúmeras críticas e análises exaustivas de um dos períodos mais exigentes da história de Portugal, a frase continua a ecoar e a marcar a mentalidade de alguns. Tal realidade leva-me a pensar que, mais uma vez, a história não é um instrumento tão poderoso para orientar o progresso e para instigar à mudança social. Sendo um dos países mais envelhecidos da Europa, Portugal tem de apostar na natalidade e nos incentivos que os países asiáticos já há muito promovem. Porém, tal não é suficiente para suprimir as dificuldades de mão de obra não qualificada. Verificamos, portanto, uma grande vaga de brasileiros, indianos, angolanos ou até mesmo ucranianos, sendo por ordem, as quatro nacionalidades que lideram a presença de estrange...