A arte de negociar e de nada concretizar
Em nove meses, muitas coisas mudam. Mudamos de casa, de cidade, de emprego, compramos um carro, lemos um livro ou vamos de férias. Procuramos opiniões, divergimos nos argumentos, aconchegamos dúvidas e dissipamos, por mais excêntrico que nos pareça, algumas certezas. Em contrapartida, guerras começaram, crises assolaram nações, conquistas fizeram o mundo parar e surpresas, essas, são quase o pão de cada dia. Mas nas entrelinhas, no essencial do coletivo económico e empresarial português, há abismos que aparentemente gostamos de continuar a perseguir. A reforma laboral tomou conta da agenda mediática, muito por culpa da urgência com que o executivo de Montenegro a fez chegar aos parceiros sociais, isto é, às centrais sindicais. A UGT foi na verdade a grande sócia em quem o governo apostou, mas de muito pouco serviu. A necessidade de protagonismo, a presunção e inclusivamente alguma futilidade continuam a servir algumas organizações corporativas que vivem do movimento político e do cumpr...