Posicionamentos estratégicos
Posicionamentos
estratégicos
Todos pensam sobre o que se falará esta semana.
É verdade que a opinião pública especula, diverge no essencial e necessita do
tão ansiado confronto. Quando tudo parece incerto, visões anteriormente nítidas
transformam-se em densas nuvens de dúvidas e incertezas sobre um futuro não tão
longínquo como possa ser pensado.
Pedro Passos Coelho tem aparecido com maior
recorrência no espaço público, o que motiva variadíssimas reações. Por um lado,
a esquerda radical teme um discurso coerente a nível económico e social e o
ímpeto reformista que sempre pertenceu ao antigo primeiro ministro. Por outro
lado, a direita democrática, saúda, tal como eu, a presença de um dos melhores
governantes do nosso país.
A seu tempo discorrerei sobre os seus objetivos,
as suas qualidades e as suas ambições políticas num momento em que é tempo de
governar, produzir e pagar aquilo que devemos. Numa altura tão delicada para o
mundo, fruto da fragmentação e essencialmente devido ao ajuste de contas entre
os três grandes blocos, Rússia, China e EUA, renasce nas ruas um movimento "esquecido"
e hostilizado há dez anos, quando o ex-primeiro ministro se retirou da vida
pública. Portanto, aguardo com expectativa e interesse aquilo que dirá nos
próximos dias, embora Montenegro já se tenha antecipado, referindo internas no
PSD para o mês de maio.
Tal como acontecera na operação americana na
Venezuela, o bombardeamento de Teerão começou na madrugada de sexta para
sábado, algo que pode parecer insignificante à partida mas que possui sem
dúvida uma certa semelhança forçada. Creio ser claro para a Europa que Trump,
enquanto líder de uma sociedade unipessoal que dispensa cada vez mais o
aconselhamento que teve no seu primeiro mandato, procura o protagonismo
mediático, mesmo que isso cause consequências danosas para a sua população. Um dos pontos mais ilustrativos prende-se com a análise ao seu protecionismo económico, o que motivou uma perda
significativa de mercado internacional.
Silicon Valley sofreu no final de 2025, como
mostram os resultados das maiores tecnológicas. A crise de expectativas no
setor da IA afetou uma das mais emergente empresas deste setor, a Oracle-
recuperada já no decorrer deste ano- que assinou um contrato de cerca de 300 mil milhões de dólares com a Open AI (responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT), denominando assim
o setor das "Big Tech" como uma das possíveis saídas da economia
ocidental.
Mas tudo isto traz consigo um peso difícil de
gerir, nomeadamente as expectativas altas e sobretudo a especulação. A Google
não se deixou ficar atrás e avançou para o mercado, conseguindo parcerias e
investimento substancial. Entre todos os detalhes necessários, os republicanos
continuam focados naquilo que é desde cedo a sua maior ambição: destabilizar,
recorrendo ao seu grande arsenal nuclear.
Se na Venezuela o interesse era claramente
económico e estratégico, reforçando uma imagem de paternalismo para com a
restante América que, como não deixo de frisar, passa este ano por
decisões difíceis- entre elas a eleição presidencial no Brasil- no caso do
Médio Oriente, a questão parece levar-nos para o campo da retaliação.
Russos e chineses são os principais importadores
de gás de petróleo iraniano. O estreito de Ormuz e o seu fechamento impedem,
portanto, o contacto do Golfo Pérsico com o Mar Arábico, provocando
constrangimentos económicos, afetando os cerca de 13% de importações de crude feitos
por parte do regime de Xi Jinping. Esta semana lia-se que Índia e China
recorrem agora ao território russo para satisfazer as necessidades energéticas
da sua população.
Quebrar em poucas horas um regime totalitário e
oligárquico que durava há mais de 40 anos, sendo Khamenei o seu líder supremo, foi sem dúvida uma vitória para os iranianos. Em reportagens
feitas das cidades mais importantes do país, descrevia-se um clima de festa e
de alívio, reforçando-se o facto de, em cenário catastrófico, habitantes
preferirem morrer em mãos americanas do que sufocados pelo regime autocrático.
Mas o que atormenta, ou pelo menos devia atormentar os membros da NATO e os europeus,
é o precedente gravíssimo que Trump abre, reforçando a sua nova forma de estar perante
conflitos mundiais. Os posicionamentos estratégicos vieram para ficar, tanto dentro como fora de portas.
Gustavo Magalhães
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